Força da Linguagem e a Invenção do Nordeste
Durval Muniz de Albuquerque Júnior (1961) é um dos historiadores mais importantes do Brasil atual. Natural da Paraíba, é Doutor em História e Professor Titular, reconhecido pelas suas pesquisas que cruzam História, Literatura e Cinema. A sua obra "A Invenção do Nordeste", que venceu o Prémio Jabuti, é um marco por questionar como as identidades regionais são "fabricadas" através de diferentes artes e discursos. Além deste, é autor de livros como "Preconceito contra a origem geográfica e de lugar" e "A tecelagem do tempo".
Obra fundamental de Durval Muniz de Albuquerque Júnior para compreendermos a construção das identidades regionais.
O que eu analisei sobre o livro
Lendo o Durval Muniz, percebi que ele nos faz pensar logo de cara na televisão. Se ligares a TV hoje, ainda vais ver o nordestino a ser mostrado quase sempre como uma caricatura. O autor mostra que elementos como o Cordel, a figura do Coronel e a temática da seca tornaram-se ferramentas para criar um estereótipo que "vende" uma ideia única da nossa região, muitas vezes ligada apenas ao sofrimento ou ao folclore.
O que achei mais interessante na pesquisa é entender que esta imagem foi fabricada por um motivo político e social. No século passado, enquanto outras partes do Brasil queriam se modernizar, o Nordeste foi "empurrado" para este lugar de "tradicional" e "atrasado" através de discursos e das artes. Não é apenas uma questão de geografia, é uma construção que molda o imaginário de quem é de fora e de quem vive aqui.
Na minha visão, o que o livro ensina é que o "Nordeste" foi inventado para marcar uma diferença. Como eu disse no meu trabalho, entender isto é fundamental para não aceitarmos qualquer rótulo que dão à nossa terra.
Conceitos-chave: Estereotipagem, Discurso, Identidade Regional e Imaginário Social.
Referência: ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. A invenção do Nordeste e outras artes. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
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